Como já havia mencionado antes, ontem tive a oportunidade de representar o Ubuntu linux em um simpósio nas Nações Unidas, organizado pelo departamento UNITAR. Junto com um representante da Novel, fui convidado a demonstrar o nosso sistema operacional e responder qualquer pergunta que surgissem durante o evento.

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Junto com meu novo amigo, Nathan Eckenrode que tive a oportunidade de conhecer há umas 3 semanas atrás (ele acompanha meu blog em inglês, e um dia me encontrou na hora do almoço perto do meu ex-trabalho), chegamos nas Nações Unidas perto das 9:30. O dia estava muito estranho, com uma garôa bem fina caindo sobre a cidade de New York. Imediatamente buscamos nossa identificação e fomos para a sala de reunião No.8. A discussão foi organizada no estilo “mesa redonda”, e logo no início pude ver Richard Stallman e Danese Cooper sentados do outro lado da sala.

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Nathan e eu decidimos que seria melhor não instalar o sistema no computador que nos deram, mas sim usar o LiveCD e assim poupar o nosso tempo e assistir a palestra. Fiquei muito fascinado com a palestra, e de uma certa forma a radicalidade do Richard Stallman. Ele me pareceu ser uma pessoa que pensa em 2 extremos, sem considerar que existem posições no “meio”. Mesmo assim, gostei muito do fato que ele não somente fala, mas também age conforme seus ideias. Por exemplo, durante sua palestra, quando ele perguntou em que formato a filmagem (webcast) seria disponibilizada pela internet e não obteve uma resposta, meio que indignado ele falou que se soubesse que seria em formato proprietário, não teria comparecido ao evento! Achei isso o máximo.

O evento teve a presença de vários representantes globais, como também de companhias como a IBM, Red Hat, Novel, Microsoft, etc. O meu “papel” era só de ficar por perto dos computadores que a organização providenciou para que o público pudesse experimentar o que o software livre tem a oferecer, mas quem me conhece sabe que eu não sou de ficar quieto. Houveram vários momentos onde eu não pude me conter e entrei na discussão, às vezes deixando minhas emoções controlar minhas palavras. Não sei bem como minhas palavras foram interpretadas, mas já no final da primeira sessão, fiz um apelo à todas as delegações presentes para que libertassem suas nações e adotassem sistemas de software livre para que mais pessoas possam ter acesso à tecnologia e informação. image2

Durante o almoço tive a oportunidade de me sentar junto à Richard e Danese e trocar algumas idéias. Danese foi super receptiva e falou bastante de sua vida, filha, música, etc. Já Richard foi mais “afastado”, e quando Nathan iniciou um diálogo com a frase: “Eu tentei instalar o gnash, mas não consegui…”, foi imediatamente interrompido por Richard, dizendo: “Você me dizendo isso não estã ajudando em nada! Você relatou o bug? Tentou depurar? É devido a pessoas como você que os nossos programas ganham a fama de serem ruins, etc, etc”. Wow!!! Foi como falei, ele parece ser super radical e pelo que pude observar, bom de garfo! :)

Conheci os representantes da Red Hat, LPI, e Unesco, entre outros. Se houve uma coisa que posso dizer que marcou o evento para mim, foi que não devemos passar todo o nosso tempo tentando melhorar o sistema, mas sim tentando descobrir formas de trazer estes sistemas e tecnologias para as pessoas que simplesmente não podem ter acesso aos mesmos! De que adianta traduzir todos os pacotes do Ubuntu ou arrumar todos os bugs que existem em nossas distribuições, se somente uma minúscula fração do mundo podem usufruir???

De qualquer forma, tirei algumas fotos que serão publicadas em breve. O webcast do primeiro dia do evento (com mais de 3 horas de duração) segue abaixo. Se alguem souber como extrair as partes que eu participei da discussão e salvá-las em algum formato livre, eu ficaria muito grato!

Webcast (eu apareço pela primeira vez aos 54 minutos)

Atualizado: Agora com algumas fotos.


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