Um dos comentários que recebi no meu post chamado “Antes do galo cantar 3 vezes” foi do Amauta, que gentilmente pediu para responder algumas de suas perguntas. Eis então as perguntas que ele me deixou:

AM: “Bom, toda entrevista tem algum começo, precisa ? então nos fale um pouco de voce e de sua trajetória no mundo do Software Livre.”

OM: “Meu nome é Og Benso Maciel, nascido no Amapá em 1974. Devido àproblemas uterinos e a um cromossomo teimoso, nasci com Arthogriposis Multiplex Congenita, uma doença caracterizada por múltiplas contraturas. Desde pequeno tive de enfrentar dificuldades e de uma certa forma, preconceitos. Apesar dos comentários maldosos e olhares de espanto, consegui passar por cima de tudo e levei uma vida bem normal. Isso tudo graças àminha mãe, que nunca me deixou ficar sentindo pena de mim mesmo. Foi com ela que aprendi a ver a vida com outros olhos, e a apreciar e ser grato por tudo que Deus me forneceu. Foi ela que também alimentou minha fome de conhecimento e me incentivava a aprender sobre todos e tudo. Mas a melhor coisa que ela me ensinou foi a compartilhar… Compartilhar minhas alegrias, e minhas tristezas… celebrar cada vitória, e aprender com cada derrota… ser ousado na vida, mas ser humilde e a respeitar o sentimeno alheio. Foi este sentimento que me fez optar por uma carreira no campo de ciências, e em 1997 me formei como engenheiro de genética com o sonho de poder um dia melhorar a vida de alguém… Adiantamos o “filme” alguns anos, e agora sou casado, pai de uma filha linda, trabalhando como programador para uma companhia farmaceutica… Eu me apaixonei pelo sistema Linux do primeiro dia! Toda a filosofia de free software falava diretamente comigo… não pelo custo (gratuito) ou pelo fato que o código fonte de qualquer programa podia ser obtido… mas sim porque vi no Linux a oportunidade de melhorar a vida do meu próximo… De providenciar um sistema operacional para todo e qualquer pessoa pelo mundo todo, e assim oferecer a oportunidade de melhorar o conhecimento e expandir sua mente! Nos primeiros anos eu não sabia exatamente como contribuir e passei muito tempo tentando aprender um pouco mais sobre o sistema e aprendendo como a comunidade funcionava… E a verdade é que a comunidade sempre me fazia sentir como um forasteiro… um daqueles hóspedes incômodos que você não vê a hora de ir embora da sua casa. Mas munido da persistência “teimosa” que minha mãe me ensinou, eu continuava… Até o dia que li um post escrito por Stephan Hermann me inspirou a tentar uma outra forma de aproximação! Troquei alguns emails com ele e pronto. Fiquei decidido que o Ubuntu seria a forma pela qual eu iria ajudar o meu semelhante! Comecei a participar do #ubuntu-br e a traduzir pacotes pelo Rosetta. E o resto é resto…”

AM: “O Ubuntu se transformou velozmente numas das principais distros existentes.Qual é a do Ubuntu afinal?”

OM: “Eu realmente creio que o nosso objetivo é a humanidade uns para os outros! Toda vez que me sento em frente do computador para fazer algo relacionado ao Ubuntu ou falo com pessoas nas conferências que participo, eu não me canso de explicar que queremos fornecer uma alternativa boa e gratuita para todos. Linux para mim significa liberdade de escolha… e distribuindo CDs e ensinando sobre o Ubuntu Linux, estou fazendo a minha parte em mostrar que existe uma alternativa no mundo de sistemas operacionais… mas a decisão final de mudar ou não, no final, é do usuário!”

AM: “Patentes, DRM, Copyright. Por detrás da sôpa de letras, o que que é que é importante para as pessoas no dia-a-dia e, como o movimento Software Livre encara estes assuntos?”

OM: “Eu sou da opinião que se eu gosto muito de um programa, nada melhor que mostrar o meu apreço ajudando de alguma forma, seja monetária ou não, a pessoa ou grupo por trás do mesmo. O que quero dizer é que não acredito que todo programa tem de ser gratuito! E este é o grande engano de muitos quando se fala sobre software livre. A parte que é livre é o acesso ao código fonte, e é aí que muita gente se engana. Todo programador que se preze e passa suas noites escrevendo código para distribuir pelo mundo do software livre, deveria contemplar a decisão de alguma renda. Nada mais justo! Agora, DRM por exemplo é uma forma forçada que criaram para garantir que o criador de algo receba de forma monetária alguma recompensa. Ok, tudo bem… mas a diferença é que a música que você comprar que tenha algum mecanismo DRM embutido, não pertence a você! E isso para mim é absurdo! Quando eu compro um sapato na loja, assim que eu entrego o dinheiro ao caixa, o produto é meu! E se eu quero emprestar o sapato ao meu amigo, eu posso! E se eu ficar chateado porque ele está apertando o meu calo, eu posso queimá-lo ou jogar na fiação dos postes! Agora, tenta emprestar uma música do iTunes para você ver…” AM: “Muita gente torce o nariz quando o assunto é Desktop Linux, há muitas críticas, alusões a dificuldades para o “usuário mortalâ€Â?, enfim, muitas pessoas gostariam de encontrar no Linux as mesmas facilidades do Windows. Quando acharemos o Nirvana no Desktop Linux?”

OM: “Eu sinceramente acho que o Nirvana já chegou e está disponível na forma do Ubuntu Linux. A versão Ubuntu Dapper Drake, a mais nova versão que será lançada agora em junho, vai afirmar de uma vez por todas que o Ubuntu Linux é a melhor coisa a ser inventada desde a invenção do pão esfatiado! Nada, e eu repito, nada vai poder oferecer o mesmo padrão de integração, usabilidade, e suporte total que o Ubuntu oferece! O Nirvana já existe e se chama Ubuntu Linux!” AM: “A versão 6.06 do Ubuntu (Dapper) está saindo, o que é que tá vindo de quente?”

OM: “O sistema inteiro passou por um rigoroso regime e está super veloz e leve! Novas ferramentas que usam os novos recursos fornecidos pelo novo kernel e novas tecnologias irão deixar todo mundo de boca aberta! Nunca foi tão fácil usar o Linux como agora! E é claro que também estamos distribuindo novs versões de seus programas favoritos, e atualizações de segurança e correção de erros (bugs). Sem contar que agora estaremos oferencendo um plano de suporte a longo prazo para a versão Desktop e Servidor. Este serviço não vai ser algo que o usuário doméstico vai aproveitar por ser algo pago, mas definitivamente grandes corporações procurando alternativas para seus usuários de desktop irão gostar deste plano.”

AM: “Como a comunidade Ubuntu availiou a reportagem da Veja sobre Software Livre?”

OM: “Acredito que esta pergunta vai ter de ser respondida pela comunidade… :) Eu honestamente ainda não li a matéria (como moro nos E.U.A, tenho de procurar uma loja brasileira para comprar a Veja), e prefiro então não comentar.”

AM: “Qual é a proposta do Ubuntu Brasil e como participar?”

OM: “Não me sinto na posição de responder pelo nosso grupo, mas creio que o nosso objetivo é bem simples: queremos muito que a comunidade brasileira saiba que existe uma alternativa àMicrosoft… e caso eles gostem da alternativa, junto ao fato que não há licenças ocultas ou taxas para atualizações, nós recomendamos o Ubuntu Linux. E caso eles ainda assim prefiram continuar usando o Microsoft, não tem problema… A liberdade de escolha significa isso mesmo! Agora, como participar? Existem vária formas de se participar e QUALQUER pessoa pode fazer uma diferença ainda hoje mesmo! Por ser o administrador da equipe de tradutores brasileiros, responsáveis por traduzir TODOS os programas distribuidos pelo Ubuntu Linux, é claro que vou tentar atrair mais voluntários… hehehe Mas creio que o post do Antônio LedStyle Cláudio explica de forma espetacular como qualquer pessoa pode participar da nossa comunidade… ou de qualquer comunidade para falar a verdade. Se existe um manual do contribuinte da comunidade software livre, é este post!” AM: “Se o Da Vinci fosse um desenvolvedor de softwares, em qual empresa voce acha que ele iria trabalhar?”

OM: “Hehehe… Creio que se ele fosse um desenvolvidor de software, Da Vinci teria um repositório a lá SourceForge e deixaria todo o seu arsenal de código disponível para todo mundo usufruir de suas criações! Ele provavelmente usaria Ruby e teria Gentoo Linux instalado! Usaria Vim, escutaria música clássica no xmms, e navegaria a internet usando o Epiphany! :)”


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